24 de out de 2008

Como compreender a Graça....

Contexto que Paulo escreveu a carta aos Romanos
A igreja, em seu início, experimentava os primeiros sinais de divisão. Uns achando-se mais merecedores das benesses de Deus, contudo conheciam apenas a lei, não a graça deixada através da morte Jesus Cristo na cruz. Paulo, de uma forma clara, através de ensinamentos profundos e relevantes, faz um chamamento, tanto para judeus, como para gentios, que creiam no Evangelho de Jesus Cristo, deixando bem claro em 1.16-17 – Não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no Evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé.” Paulo fala do Evangelho, enquanto Poder de Deus e não por teoria elaborada por ele. Sendo essa a forma que Deus escolheu para salvar pecadores. Paulo inclui os mandamentos e trabalha a questão da lei X fé, desconstruindo que nenhuma lei jamais salvou um pecador e sim a FÈ. Paulo coloca num mesmo patamar judeu e grego, ou seja, o Evangelho e a salvação são acessíveis a todos.
O significado da cruz
Abrir mão de prerrogativas. Deus, através de seu filho Jesus Cristo, nos recebe em amor dando forma à nossa fé e obediência. Não uma obediência tola, infantil e amedrontada, que nos limita a viver à margem e mediocridade na vida Cristã, mas numa obediência que nos leve a absorver a verdadeira justificação na Cruz, dando propósito à morte como forma de vida, e vida com abundância.
Porque a graça é superior à lei?
Em Efésios 2:8-10 diz: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não de obras para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Paulo, com autoridade peculiar, fala da doutrina da graça gratuita e soberana tanto humilha a soberba dos judeus, que valoriza ao extremo a lei, como condena a liberdade desordenada, irresponsável e preguiçosa dos que se negavam à lei. Em Rm: 1.8 – Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça. 2.5 – Contudo, por causa da sua teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para o dia da ira de Deus, quando se revelará o seu justo julgamento. 3-5 – Mas, se a nossa injustiça ressalta de maneira ainda mais clara a injustiça de Deus, que diremos? Que Deus é injusto por aplicar a sua ira? A lei não traz salvaçãom pois ninguém consegue se auto-justificar por meio de obras ou por bom comportamento. A lei mostra que todos são culpáveis diante de Deus, ou seja, traz conhecimento do pecado, porém não resolve o problema. A lei ressalta o pecado, mas não promove o arrependimento. A graça se manifesta quando, mediante a fé em Cristo Jesus, todos os que crêem tem acesso à justiça divina. A justificação vem pela fé, independente das obras da lei. Ninguém se salva por obras de mérito em obediência perfeita à lei. O único meio da salvação é a fé em Jesus Cristo e, para que possa ser agradável a Deus, esta fé tem de ser ativa e obediente (1-5). A fé não anula a lei! A lei é confirmada pela fé! A lei mostrou o problema, e a fé traz a solução!
O que mais me chamou atenção no livro de Romanos
A autoridade e clareza que Paulo nos apresenta, através do Livro de Romanos, demonstração da lei da graça como nova chance na vida.
[1] “A graça nos atinge quando estamos em grande dor e desassossego. Ela nos atinge quando andamos pelo vale sombrio da falta de significado e de uma vida vazia. Ela nos atinge quando, ano após ano, a perfeição há muito esperada não aparece, quando as velhas compulsões reinam dentro de nós da mesma forma que têm feito há décadas, quando o desespero destrói toda alegria e coragem. Algumas vezes nossas trevas, e é como se uma voz dissesse: ‘ Você é aceito. Você é aceito, aceito pelo que é maior do que você, o nome do qual você não conhece. Não pergunte pelo nome agora; talvez você descubra mais tarde. Não tente fazer coisa alguma agora; talvez mais tarde você faça bastante. Não busque nada, não realize nada, não planeje nada. Simplesmente aceite o fato de que você é aceito. Se isso acontece conosco, experimentamos a graça.” A palavra de Deus é maravilhosa, linda, eficaz e se completa a cada livro e a cada leitura desses livros. Contudo, em Romanos observo a dimensão dos “porquês”: de Adão ter transgredido; de Jesus Cristo ter sofrido tanto; da cruz e da ressurreição. Para poder entender a dimensão desta frase: [2] “Venham a mim e Eu lhes darei descanso – todos vocês que trabalham tanto debaixo de um jugo pesado. Levem o meu jugo- porque ele se ajusta perfeitamente e deixem que Eu lhes ensine; porque Eu sou manso e humilde, e vocês acharão descanso para suas almas; pois só Eu faço vocês carregarem cargas leves.” O que concluo? Que preciso experimentar essa tão grandiosa graça de Deus a cada dia, mas de forma prática na vida dos que me aproximarei e dos que se aproximarem de mim, levando-os a se sentirem amados e assim, experimentarem essa tão maravilhosa Graça! Que desafios práticos você toma para si a partir de Romanos? [3] Jean Paul Sartre disse: “O inferno são os outros” e Ricardo Gondim, comentando o texto disse “o inferno não é o outro, o inferno é a ausência do outro – especialmente o grande Outro”. A partir do livro de Romanos vislumbro uma necessidade de olhar o outro com olhos ternos de amor, em detrimento de ter sobre mim esse mesmo olhar da parte de Deus. Amar as pessoas não focando nas imperfeições, bem como a mim. Sendo este o desafio deixado pós-leitura de Romanos e também o fato de que eu só posso relacionar-me com as pessoas a quem estou disposta a servir. Sem essa idéia de humilhação e serviço, não conseguirei suportar as pessoas em suas imperfeições e mazelas. Outrossim, passo a ter, no livro de Romanos a base necessária para minha vida: espiritual, social, familiar e poder fazer de meu curso de Teologia, o roteiro para essa nova caminhada. Centrada na fé, resistência e graça.
Consultas que me nortearam
[ 1 ] Manning, Brennan – O Evangelho Maltrapilho – Editora Mundo Cristão, São Paulo, 2005 – p. 27 e 28 [ 2 ] Kivitz, Ed René – Vivendo com propósitos – Editora Mundo Cristão – São Paulo, 2003 – p. 191 e 192 [ 3 ] Bíblia Viva – Mateus 11: 28-30