28 de ago de 2009

Compartilho um texto que li e que achei magnífico, talvez você já o tenham lido, mas sempre vale a pena relembrar:

“Não há possibilidade de pensarmos o amanhã, mais próximo ou mais remoto, sem que nos achemos em processo permanente de “emersão” do hoje, “molhados” do tempo que vivemos, tocados por seus desafios, instigados por seus problemas, inseguros ante a insensatez que anuncia desastres, tomados de justa raiva em face das injustiças profundas que expressam, em níveis que causam assombro, a capacidade humana de transgressão da ética. Ou também alentados por testemunhos de gratuita amorosidade à vida, que fortalecem, em nós, a necessária, mas às vezes combalida esperança.(...) Pensar o amanhã é assim fazer profecia, mas o profeta não é um velho de barbas brancas longa e brancas, de olhos abertos e vivos, de cajado na mão, pouco preocupado com suas vestes, discursando palavras alucinadas. Pelo contrário, o profeta é o que, fundado no que vive, no que vê, no que escuta, no que percebe, no que intelige, a raiz do exercício de sua curiosidade epistemológica, atento aos sinais que procura compreender, apoiado na leitura do mundo e das palavras, antigas e novas, à base de quanto e de como se expõe, tornando-se assim cada vez mais uma presença no mundo à altura de seu tempo, fala quase adivinhando, na verdade, intuindo, do que pode ocorrer nesta ou naquela dimensão da experiência histórico-social.(...) Para mim, ao repensar nos dados concretos da realidade, sendo vivida, o pensamento profético, que é também utópico, implica a denuncia de como estamos vivendo e o anuncio de como poderíamos viver. É um pensamento esperançoso, por isso mesmo. É neste sentido que, como o entendo, o pensamento profético não apenas fala do que pode vir, mas, falando de como está sendo a realidade, denunciando-a, anuncia um mundo melhor. Para mim, uma das bonitezas do anúncio profético está em que não anuncia o que virá necessariamente, mas o que pode vir, ou não. O seu não é um anuncio fatalista ou determinista. Na real profecia, o futuro não é inexorável, é problemático. Há diferentes possibilidades de futuro. Reinsisto em não ser possível anuncio sem denuncia e ambos sem o ensaio de uma certa posição em face do que está ou vem sendo o ser humano."(...)
Esse texto continua. Aliás, o texto me chocou e maravilhou-me, bem como todos os textos de Paulo Freire. O livro todo é excelente. Chama-se Pedagogia da Indignação. Paulo Freire escrevia cartas como formas de comunicação, tornando-as bastantes pessoais e íntimas, haja vista usar algumas palavras que só se encontra e seus textos. Eu, particularmente, adoro sua leitura!
Educar implica em pensarmos juntos e avançar. Divergir para convergir.
Penso ser este o grande sentido da igreja!!
Desculpe-me, são meus devaneios!!

10 de ago de 2009

Na natureza selvagem

Pessoas, tenho algo a lhes dizer. Façam um favor a si mesmos. Assistam ao filme Na Natureza Selvagem! Um filme absolutamente lindo! Um filme absolutamente arrebatador! Quanta lição.... Quanta beleza..... Uma das tantas partes do filme que me emocionou foi quando toca uma música. A música e a sequencia de cenas me emocionou demais! Olha a letra da música:
" É um mistério para mim
temos uma ganância que aceitamos
Você acha que tem de querer mais do que precisa
e, até ter tudo, não estará livre
A sociedade é uma coisa louca
Tomara que você não se sinta sozinha sem mim
Quando você quer ter mais do que precisa e
quando pensa mais do que quer
seus pensamentos começam a sangrar
Precisa de uma casa maior
porque quando se tem mais do que se pensa
você precisa de mais espaço
A sociedade é uma coisa louca
Tomara que você não se sinta sozinha sem mim"
Não contarei o filme, mas colocarei um texto que falará muito melhor que eu! Amo Sean Penn! Acho-o de uma coragem e de um talendo extremo! 21 gramas, Entre Meninos e Lobos, Milk....e muitos outros....Ele é o cara! Segue o texto: “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild/EUA/2007), filme do diretor, roteirista e produdor impecável Sean Penn, baseado no livro-reportagem homônimo, do jornalista Jon Krakauer, conta a história de Christopher McCandless, um jovem recém-formado que se aventura pelos Estados Unidos até chegar a inabitável Alasca. "Na natureza selvagem" foi produzido pelo braço independente da Paramount, ganhou elogios dos principais críticos dos EUA entre eles, da bíblia do cinema "Variety", jornais e revistas influentes, como "Washington Post", "New York Times", "Entertainment Weekly" e "Rolling Stone". Mas o filme foi quase ignorado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas americana. Talvez por conta da força dos republicanos contra Penn, acusado de antipatriota e traidor pela direita americana por suas reportagens sobre o Irã e o Iraque, criticando George W. Bush por crimes de guerra. No filme "Na natureza selvagem", vê-se numa cena o ex-presidente George Bush na TV falando sobre a guerra do Golfo, assim como aconteceu com seu filho, George W. Bush, em relação ao conflito no Iraque. Penn esperou dez anos pelo "sim" da família de McCandless para poder levar a história à tela, transbordando emoção em cada cena com a mesma intensidade com que a natureza se revela ao longo da projeção. Emile Hirsch, protagonista do filme, cativa e emociona durante os 140 minutos de exibição com sua atuação louvável encarnando Chris McCandless. McCandless, nascido em meio à riqueza e privilégios, jogou tudo para o alto no dia em que se formou na faculdade, em 1990, doando seu dinheiro e queimando documentos quando decide viajar pelos EUA em busca da liberdade, auto-conhecimento, valores e sentimentos que não encontrava em casa. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia se depara com uma série de personagens que irão moldar sua vida para sempre, mostrando os diferentes níveis de relacionamento. A jornada de McCandless acaba após 2 anos na estrada para o Alasca, quando demonstra compreender, tardiamente, que este tão desejado estado de espírito só é real quando compartilhado. Uma última provação inspirada em grandes escritores, especialmente Leon Tolstói que enfrentou a natureza e as pressões da alma. O filme apresenta uma história comovente, como espelhos dos nossos próprios pensamentos e gera muita reflexão sobre o quanto podemos levar uma vida insignificante se não soubermos como vivê-la, sobre o nosso papel no mundo. O diretor de fotografia Eric Gautier, o mesmo de “Diários de Motocicleta” filme sobre Che Guevara do diretor Walter Salles, capta imagens deslumbrantes sem desviar a atenção do espectador. E para acentuar este trabalho, entra ainda a emotiva trilha sonora criada por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, em seu primeiro projeto solo que nos presenteia com excelentes canções que se encaixam perfeitamente com a história e acentuam bastante as sensações geradas, afirmando seu forte lado político. Ouça e veja aqui o trailer legendado do filme “Na Natureza Selvagem”: http://www.youtube.com/watch?v=0YBDpPIhEYo Fica ai mais uma boa dica! Bjs